Cesare Battisti chega a Roma e é levado para prisão

Cesare Battisti, o ex-ativista de extrema esquerda condenado por quatro assassinatos e expulso da Bolívia no domingo (13), onde se refugiou depois de ficar no Brasil por uma década, chegou à Itália nesta segunda-feira (14) para cumprir uma pena de prisão perpétua.

O avião pousou às 11h36 locais (8h36 de Brasília) no aeroporto romano de Fiumicino, onde os ministros do Interior, Matteo Salvini, e o ministro da Justiça, Alfonso Bonafede, esperavam por ele junto com mais de 100 jornalistas.

Battisti, de 64 anos, desceu do avião sorrindo e sem usar algemas, escoltado por cerca de dez policiais que imediatamente o levaram, em meio a um importante dispositivo de segurança, para a prisão de Rebibbia, em Roma, atesta o Terra.

Uma foto divulgada pelas autoridades italianas mostram o fugitivo sentado no avião, com aparência tranquila, e com um cobertor sobre as pernas.

“Esse bandido, que passou anos nas praias do Brasil, ou tomando champanhe em Paris, matou (entre 1978 e 1979) um marechal de 54 anos, um açougueiro, um joalheiro e um jovem policial de 24 anos. Ele tem que apodrecer na cadeia pelo resto de sua vida”, declarou Salvini aos repórteres no domingo à noite.

“Agora as vítimas podem descansar em paz”, acrescentou Alberto Torregiani, filho do joalheiro assassinado diante de seus olhos quando ele tinha 15 anos e ficou tetraplégico depois de ser ferido na tragédia.

– Criminoso e arrogante –

Na Itália, a detenção de Battisti foi comemorada de forma unânime, tanto pela direita quanto pela esquerda, em particular porque o ex-líder dos Proletários Armados para o Comunismo (PAC) alega inocência e nunca manifestou arrependimento.

“Um criminoso e um arrogante”, comentou Nicola Zingaretti, principal candidato à presidência do Partido Democrata (PD, centro esquerda), reivindicando a mesma dureza contra os militantes fascistas que têm voz na Itália nos últimos tempos.

Em um comunicado divulgado à noite, o ministro italiano das Relações Exteriores, Enzo Moavero Milanesi, agradeceu às autoridades bolivianas e brasileiras por sua colaboração.

Battisti foi condenado pela primeira vez na virada dos anos 1980 a 13 anos de prisão por pertencer ao PAC, um pequeno grupo de extrema esquerda particularmente ativo no fim da década de 1970 e considerado “terrorista” por Roma.

Depois de fugir em 1981, foi condenado à revelia à prisão perpétua por quatro homicídios e cumplicidade em outros assassinatos.

Depois de passar quase 15 anos na França – o então presidente François Mitterrand havia prometido não extraditar ex-militantes que tivessem renunciado à luta armada -, foi obrigado a deixar o país em 2004, uma vez que os ventos políticos haviam mudado de direção.

Refugiou-se clandestinamente no Brasil, onde teve um filho com uma brasileira, paternidade com a qual também contava para se proteger legalmente de uma extradição.

Em 2010, o então presidente Luiz Ignácio Lula da Silva negou sua extradição para a Itália. No último dia de seu mandato, Lula concedeu ao fugitivo o status de refugiado político.

O nascimento do filho no país era um dos argumentos usados por sua defesa para impedir sua extradição, como ele próprio explicou à AFP em entrevista concedida em 2017 em sua casa em Cananeia, com o pequeno sentado ao seu lado.

A Justiça brasileira toma, porém, decisões contraditórias. Em 2015, uma juíza da 20ª Vara Federal do Distrito Federal determinou a deportação de Battisti. No mesmo ano, ele se casa com outra brasileira, Joice Lima, em um camping de Cananeia.

Dois anos depois, é detido em Corumbá (MS), na fronteira da Bolívia, acusado de querer fugir, e foi mantido monitorado com tornozeleira eletrônica por quatro meses.

Com a eleição, em outubro passado, do presidente de extrema direita Jair Bolsonaro, que prometeu extraditá-lo, Battisti voltou à clandestinidade após 40 anos de fuga até este sábado, quando sua prisão foi anunciada em Santa Cruz de la Sierra, leste da Bolívia.

14/01/2019

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