Centrão obriga aliança entre Collor e Alckmin, desafetos em Alagoas

A aliança com o centrão garantiu a Geraldo Alckmin, candidato do PSDB à Presidência da República, o maior tempo de propaganda de rádio e televisão, mas ele terá de dividir o palanque com desafetos. Em Alagoas, os tucanos indicaram o vice na chapa do senador Fernando Collor de Mello (PTC-AL), que disputa o Executivo local.

O apoio do PSDB à campanha do ex-presidente foi uma determinação do PP, um dos partidos do centrão parte da coligação de Alckmin, de acordo com O Globo. Com a decisão, os tucanos retiraram de de última hora sua candidatura ao governo alagoano e indicaram o vereador Kelmann Vieira, como vice de Collor. A frente conta também com o apoio de local do PSB e DEM.

Historicamente, o senador e os tucanos são adversários no estado. A campanha do presidenciável ainda não decidiu como Alckmin irá agir. É possível que o tucano evite atos em território alagoano. O Nordeste, contudo, é uma das regiões onde o candidato tem baixa popularidade, diz o MSN.

A união forçada provocou constrangimentos no PSDB. O ex-governador de Alagoas Teotônio Vilela Filho disse que não votará no candidato do PTC “em nenhuma hipótese”.

Alckmin votou pelo impeachment de Collor em 1992, quando era deputado federal. Na época, disse que o então presidente representava o “velho ciclo” de impunidade no país e a corrupção. “Será esse remédio (impeachment) que hoje o Brasil haverá de administrar contra os males da corrupção”, disse o tucano.

Investigado na Operação Lava Jato, o senador é réu por corrupção passiva, lavagem de dinheiro e participação em organização criminosa. De acordo com a denúncia, o grupo de Collor recebeu R$ 29 milhões em propina entre 2010 e 2014.

O PSDB e o centrão, por sua vez, tiveram impactos na imagem devido ao envolvimento de seus integrantes em escândalos de corrupção. Hoje, o bloco com PP, PR, PRB, Solidariedade e DEM se auto-intitula “centro democrático”.

Em fevereiro, Collor anunciou que entraria na disputa presidencial. Em seu discurso no plenário do Senado, ele afirmou que o Brasil precisava de “um centro democrático progressista e liberal capaz de promover as mudanças demandadas pelo povo brasileiro”. O senador também criticou o que chamou de espírito forçado de renovação política.

A experiência de Alckmin, que ficou 20 anos no Palácio dos Bandeirantes, por sua vez, é um dos pontos fortes destacados por aliados. “Sabemos que os próximos quatro anos serão desafiadores para devolver a esperança aos brasileiros. E, para esse desafio, o mais preparado e que traz a experiência de gestor é Geraldo Alckmin”, afirmou o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), na convenção do DEM na semana passada. O evento formalizou o apoio dos democratas ao PSDB.

07/08/2018

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